segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Meu cobertor.


A verdade? Eu me acostumei com esse negócio de ser uma "adolescente-além-da-média". 
Me acostumei a ter meus pais na sala, meus avós do outro lado da rua, meu irmão em seu quarto, provas na semana que vem. Me acostumei a mendigar horas de sono. Me acostumei a ter muitos "9's" no meu boletim e lembrar de cada madrugada que passei para consegui-los. Me acostumei a ir e voltar de van para escola. Me acostumei a esquentar o almoço que minha mãe fez e ter que guardar todos os potes, por que eu sempre sou a última a me servir. Me acostumei as aulas de educação física à tarde. Me acostumei com o temperamento dos professores e que a maioria espera muito de mim (e eu também, e todos estamos muito errados ao fazer isso e provavelmente sairemos decepcionados). Eu me acostumei a torcer o nariz para fofocas. Me acostumei a ligar o computador e ir direto ver meus youtubers. Me acostumei a ter dezena de livros não lidos, uma tonelada e vontade de lê-los e zero tempo para fazê-lo. Me acostumei a esperar uma semana por mais 1 episódio de Game of Thrones (mentira). Me acostumei a me cobrar mentalmente para resenhar os 50 livros na minha lista (sim, me pressionem). Me acostumei a imprimir trabalhos na madrugada do dia de entrega. Me acostumei a pensar em mil possibilidades de como escrever a frase que estou escrevendo e no final embaralha-las todas na minha mente. Me acostumei a me entupir de vídeo aulas no dia antes da prova. Me acostumei ao meu gosto musical indie e melancólico. Me acostumei ao curso de inglês aos sábados. Me acostumei com a toalha que ponho sobre meu abajur, porque ele clareia muito e a toalha equilibra tudo, algo que eu adoraria fazer com minha ansiedade e dramas. Me acostumei a ficar com os dedos azuis/verdes sempre que vou lavar/retocar o cabelo. Me acostumei as bizarrices que faço para lavá-lo. Me acostumei a não ver as pessoas da escola como "popular e não-popular. Apenas como "idiotas escandalosos que encontraram outros idiotas escandalosos e wow, são maioria" e "pessoas que falam ou não falam com quem querem". Me acostumei a ter um cachorro problemático. Me acostumei a ser problemática e exagerada. Mas principalmente, me acostumei ao meu quarto, minha cama. Me acostumei a indigestão mental de escrever "me acostumei" no lugar de "Acostumei-me", porque sim, gramática na veia. Me acostumei a suas manias (do meu quarto), e ao jeito que as cortinas ficam melhor posicionadas. E acostumei a sua falta de decoração. Me acostumei a pilha de livros e post its ao meu lado. E me acostumei ao quão acolhedor ele é. Me acostumei a esconder-me aqui. Me acostumei permanecer horas aqui com as portas fechadas. Me acostumei a criar utópicas "To-do lists" e perdê-las e achá-las meses depois. E não que eu não goste de mudanças. Mas prefiro aquelas que me fazem crescer, e não desejar querer voltar anos no tempo. Me acostumei a me encher de planos e expectativas sobre meus planos e expectativas. Me acostumei a essa mania de ser extremos e nunca ponderada. Me acostumei a esperar muito de mim e quebrar a cara. Me acostumei a reviver momentos passados na minha mente, e depois de alto castigar porque o presente se vive no agora. Me acostumei a olhar para desconhecidos e traçar uma vida inteira até o breve momento que nossas vidas se cruzam devido a esse bobo olhar meu. Me acostumei e reescrever momentos vividos, e vivê-los mais intensamente na minha mente do que faço com essa tal chamada "vida real". Me acostumei a molhar meu cabelo de manhã para arrumá-la (mentira parcial). E ainda acredito nas mentiras que conto para mim mesma, até o momento em que descubro que não passaram de mentiras.